Teoria da classificação e documentos fotográficos em arquivos, bibliotecas e museus.
Prédio: Faculdade de Letras
Sala: Anfiteatro I
Data: 2009-11-19 15:00 – 16:45
Última alteração: 2009-11-03
Resumo
Embora se tratando apenas de uma representação do real, a fotografia adquiriu verdadeira credibilidade quanto a suas imagens e, graças aos registros constantes e experiências fotográficas, grande parte do que conhecemos hoje de pequenos e breves momentos passados – cidades, povos, ou seja, tudo o que foi registrado a partir do aparecimento da fotografia – são, além de recordações, documentos históricos que nos mostram, aliados a outras formas de expressão, importantes momentos que devem ser conhecidos para a construção de uma determinada memória.
A fotografia, desde seu aparecimento, foi vista através de seu caráter documental, baseado no princípio de prova e realidade que a caracterizam. Talvez por esse motivo, sua capacidade de representar cenas como se fossem totalmente reais, exerça um fascínio que se junta à vontade de guardar, tanto no sentido afetivo quanto documental.
Assim, vão se formando coleções de fotografias. A organização e classificação dadas a estas coleções refletem o pensamento de uma época.
Desta forma, adentramos com esta pesquisa, no campo dos estudos teóricos e conceituais em relação à classificação do conhecimento e de sua evolução, utilizando o documento fotográfico – modelo de novo suporte informacional – como fator principal para tecermos uma discussão sobre a importância, estado atual e contribuições epistemológicas sobre a classificação de documentos fotográficos nas áreas da Teoria da Classificação, Ciência da Informação, Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia.
O objetivo geral desta pesquisa é analisar os subsídios epistemológicos da teoria da classificação, trilhando por suas raízes filosóficas até as classificações bibliográficas, que auxiliam na ordenação de acervos bibliográficos, museológicos e arquivísticos para entender sua construção e adequação a cada tipo de instituição. Dessa maneira, pretendemos analisar como é feita a classificação de documentos fotográficos nos acervos e coleções fotográficas nos seguintes espaços informacionais: Museu Paulista-SP, Fundação Pierre Verger-BA e Biblioteca Alfredo Volpi-SP, para podermos verificar in loco a importância da prática da classificação nos acervos fotográficos e seu estado atual, tendo em vista mudanças históricas e tecnológicas.
A classificação se estabeleceu com a fundamentação de teorias filosóficas e científicas que deram base ao seu desenvolvimento. As categorias, exemplos realistas de descrição de qualquer experiência, são um primeiro estágio para que a classificação das ciências e do saber se desenvolva e se concretize.
Baseada em semelhanças e contrastes, pode reunir a síntese e a análise, pois é “o meio mais simples de, simultaneamente, discriminar os elementos de um conjunto e agrupá-los em subconjuntos – isto é, de analisar e sintetizá-lo” (BUNGE apud GIL, 2001. p. 91). Dessa forma, percebe-se também a relação com o desenvolvimento do conhecimento, pois, com a organização deste em classes, sua função se estende à de unificar e sistematizar os fatos e dados, com espaços que permitem crescer a partir do exterior, ou seja, nível a nível de acordo com a hierarquia.
Isso fez com que filósofos e estudiosos pensassem em um sistema de classificação para que os livros fossem encontrados e organizados da melhor maneira. As decisões pragmáticas que tinham de ser tomadas na organização de bibliotecas implicava na técnica e na sabedoria dos estudiosos, “seriam necessários filósofos-bibliotecários ou bibliotecários-filósofos, combinando os talentos de John Dewey, o filósofo pragmático, com os de Melvil Dewey, criador do famoso sistema decimal de classificação” (BURKE, 2003, p.98).
O fato é que nos séculos XVII e XVIII aconteceram muitas mudanças na concepção do que era o conhecimento. Este passou de seu caráter teórico para se tornar útil, o que foi novidade na época. Isso se reflete na organização das unidades que armazenavam o conhecimento, bibliotecas, arquivos e museus, que, pela primeira vez se vêem norteados por uma especificidade funcional, desvinculando-se da classificação dos saberes. Essa quebra da teoria para a prática vai alavancar um grande interesse e a criação de uma “ciência da classificação”, surgindo, as classificações bibliográficas, estas baseadas nas classificações filosóficas, a partir do século XIX (LARA FILHO, 2006).
A classificação nas unidades de informação, como escreveu Vichery (1980), mudou de acordo com sua época? Foram abertas discussões para novos suportes informacionais como a fotografia? Adaptaram-se ou criaram-se novas regras? Esses são alguns dos questionamentos da presente pesquisa em relação à teoria da classificação em bibliotecas, arquivos e museus e mais especificamente no tratamento de coleções e acervos de documentos fotográficos.
Esses documentos, por conta da abertura para novas fontes e suportes informacionais com o trabalho da Escola dos Annales, que demonstrou a necessidade de pesquisadores aderirem a diversos tipos de objetos, foram incluídos no bojo de novo suporte e documento que contém informações relevantes e que devem ser tratados de acordo com suas particularidades.
Nesse sentido, o novo suporte traz para as instituições como museus, arquivos e bibliotecas não só as coleções fotográficas documentárias, as que vão provar algo ou atestar fatos, mas também as que vão reproduzir obras de arte, construções arquitetônicas, álbuns de família, permitindo assim transcender os limites da representação e dar uma nova percepção aos objetos que podem ser armazenados por unidades de informação (GROSSMANN, 2005).
O trabalho com documentos fotográficos suscita dúvidas e adaptações que exigem dos profissionais empenho e uma busca pelo melhor caminho a seguir. A “transcodificação” da fotografia (Smit, 1987), ou seja, a passagem de uma linguagem para outra, exige a verbalização do documento fotográfico, assim, damos início ao tratamento desta para que tenha um sentido, para que seja traduzida e, dentro de uma unidade informacional, possa ser útil com suas informações aos usuários. A imagem fotográfica informa e comunica como qualquer outro documento, mas tem de ser contextualizada e utilizada com um objetivo para que possa oferecer o máximo de seus sentidos.
Todas as normas vigentes em bibliotecas, arquivos e museus podem englobar objetos tão singulares como os documentos fotográficos e, estas três instituições têm semelhanças entre si. Na presente pesquisa procuraremos enfatizar a existência de princípios próprios, específicos a cada área, devido à função da instituição, sua relação com a sociedade e com o suporte informacional, mas também os princípios onde as três se aproximam.
Desse modo, a informação sofrerá uma intervenção diferente em cada tipo de instituição, por parte do profissional específico, para que possa ser acessada pelo usuário. Cada tipo de acervo traz consigo problemas genéricos ao campo, e específicos a cada uma das três áreas a que se filia. E é nesse contexto que está inserida a problemática da classificação em relação ao documento fotográfico e o cerne de nossa pesquisa.
Palavras-chave – Classificação filosófica – Classificação bibliográfica – Documento fotográfico.